Pessoa avaliando o refinanciamento de veículo antes de trocar as condições do financiamento

Refinanciamento de veículo: quando vale a pena trocar as condições

Refinanciamento de veículo é a operação que usa seu carro, já quitado ou parcialmente pago, como garantia pra conseguir um novo crédito com juros mais baixos. Muita gente confunde essa modalidade com renegociar o financiamento original, mas são coisas diferentes, e entender essa diferença é o primeiro passo pra saber se vale a pena trocar as condições do seu contrato atual.

O que é refinanciamento de veículo, afinal

No refinanciamento de veículo, você usa o carro como garantia pra pegar um empréstimo novo, mesmo que ele já esteja totalmente pago. É diferente de um financiamento tradicional, onde você ainda não é dono do bem até quitar todas as parcelas. Aqui, o carro é seu, e você o oferece como segurança pra obter uma taxa de juros mais baixa do que teria num empréstimo pessoal sem garantia.

Segundo a Serasa, essa modalidade também é chamada de crédito com garantia de veículo, e funciona de forma parecida com o empréstimo com garantia de imóvel, só que usando um bem de menor valor e prazos mais curtos.

Refinanciamento x portabilidade: qual a diferença

Vale separar dois conceitos que costumam se misturar. O refinanciamento de veículo cria uma operação nova, usando o carro como garantia, geralmente pra levantar dinheiro pra outros fins. Já a portabilidade de crédito, regulamentada pelo Banco Central, é o direito de transferir uma dívida já existente (como o próprio financiamento do carro) de um banco pra outro, buscando taxa menor pro mesmo contrato.

Se o seu objetivo é só reduzir a taxa de juros do financiamento que você já tem, sem pegar mais dinheiro, a portabilidade costuma ser o caminho mais direto. Se o objetivo é usar o carro pra conseguir crédito novo, o refinanciamento de veículo é a opção certa.

Quando vale a pena fazer o refinanciamento de veículo

Vale a pena quando a taxa de juros oferecida no refinanciamento é claramente menor do que a das dívidas que você quer quitar com esse dinheiro. Um exemplo comum: você tem uma dívida de cartão de crédito cobrando mais de 15% ao mês, e consegue um refinanciamento de veículo com taxa de 1,5% ao mês. Nesse caso, trocar uma dívida cara por uma mais barata, usando o carro como garantia, tende a compensar.

Outro cenário em que faz sentido é quando você precisa de um valor relativamente alto e já tem o carro quitado, sem outra forma de conseguir crédito com juros baixos. Como o carro já é seu, o dinheiro liberado pode ser usado pra qualquer finalidade, seja reformar a casa, investir num negócio ou consolidar outras dívidas.

Quando não vale a pena

Não compensa refinanciar o veículo quando a diferença de taxa entre o refinanciamento e a dívida que você quer pagar é pequena, porque as taxas de avaliação do bem, os custos de cartório e o registro do contrato podem consumir boa parte da economia. Também não faz sentido quando o carro é o único bem de valor que você possui e o risco de perdê‑lo, em caso de atraso, pesa mais do que a economia de juros.

SPC Brasil reforça que, antes de contratar, vale sempre comparar propostas de mais de uma instituição, porque a diferença de taxa entre elas pode ser significativa mesmo dentro da mesma modalidade de crédito.

Como funciona a garantia nesse tipo de operação

O carro dado em garantia passa por um processo de alienação fiduciária, o mesmo mecanismo usado em outras modalidades de crédito com garantia, que já detalhamos neste post sobre o tema. Isso significa que, em caso de não pagamento, a instituição financeira pode retomar o veículo pra recuperar o valor emprestado.

Por isso, antes de assumir esse compromisso, vale calcular com cuidado se as parcelas do novo contrato cabem no seu orçamento mensal, do mesmo jeito que recomendamos na comparação entre empréstimo com ou sem garantia.

Passo a passo pra simular o refinanciamento de veículo

O primeiro passo é reunir a documentação do veículo, como o CRLV atualizado e o comprovante de que não existe restrição judicial sobre o bem. Depois, simule em pelo menos três instituições diferentes, comparando não só a taxa de juros anunciada, mas o Custo Efetivo Total completo, que inclui taxas de avaliação e registro do contrato.

Vale considerar também a idade do veículo, porque a maioria das instituições impõe um limite de anos de fabricação pra aceitar o carro como garantia, já que veículos mais antigos perdem valor de revenda e liquidez mais rápido.

O que acontece se eu não conseguir pagar

Se as parcelas do refinanciamento atrasarem além do prazo definido em contrato, a instituição pode acionar a alienação fiduciária e retomar o veículo. Esse processo costuma ser mais rápido do que a execução sobre um imóvel, porque carros são bens móveis, com liquidez maior no mercado de revenda.

Refinanciamento de veículo é a mesma coisa que empréstimo com garantia de carro?

Sim, os dois termos descrevem a mesma modalidade de crédito: usar o veículo como garantia pra conseguir um empréstimo com taxa mais baixa do que a do crédito sem garantia.

Preciso estar com o financiamento original quitado pra fazer o refinanciamento de veículo?

Não necessariamente. Algumas instituições aceitam veículos ainda financiados, desde que exista margem de valor suficiente entre o que já foi pago e o valor total do bem, de forma parecida com o que acontece no crédito com garantia de imóvel financiado.

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