Pessoa verificando se pode usar imóvel financiado como garantia de empréstimo

Imóvel financiado como garantia de empréstimo: É possível?

Usar um imóvel financiado como garantia de empréstimo é possível, mas não é automático como muita gente pensa. Existem condições específicas que o banco avalia antes de aprovar essa operação, e entender essas regras evita que você perca tempo simulando em instituições que nem aceitam esse tipo de imóvel. Neste post você vê exatamente o que muda quando o bem ainda tem financiamento em aberto.

Por que isso é possível

Até alguns anos atrás, um imóvel financiado dificilmente podia servir de garantia para outro empréstimo, porque ele já estava alienado fiduciariamente ao banco que financiou a compra. O Conselho Monetário Nacional, junto com o Banco Central, regulamentou a extensão da alienação fiduciária, permitindo que um mesmo imóvel sirva de garantia em mais de uma operação, através do que o mercado chama de alienação fiduciária inversa ou de segundo grau.

Na prática, isso significa que o imóvel continua garantindo o financiamento original, mas parte do seu valor de mercado, já pago ou valorizado, pode servir de garantia pra um novo empréstimo, desde que exista margem suficiente entre o que já foi quitado e o valor total do bem.

Qual condição os bancos exigem para aceitar imóvel financiado como garantia de empréstimo

A condição mais comum é ter uma margem de garantia disponível, ou seja, uma diferença relevante entre o valor de mercado atual do imóvel e o saldo devedor que ainda falta pagar no financiamento. A Caixa Econômica Federal permite essa modalidade mesmo para imóveis ainda financiados por ela mesma, desde que exista margem suficiente entre o valor pago e o valor total do bem.

Além dessa margem, o imóvel precisa estar em dia, mesmo que ainda não esteja totalmente pago. Parcelas atrasadas no financiamento original costumam ser motivo de recusa automática, porque indicam ao banco que o risco da operação está mais alto do que o aceitável.

Como funciona na prática

Quando você contrata esse tipo de empréstimo, a nova instituição pode assumir o saldo devedor do financiamento original, unificando a dívida numa única operação com uma taxa de juros geralmente mais baixa que a soma dos dois contratos separados. É assim que boa parte do mercado de crédito com garantia estrutura esse tipo de operação hoje.

Outra forma de fazer isso é registrar uma segunda garantia sobre o mesmo imóvel, mantendo os dois contratos separados, o financiamento original e o novo empréstimo. Essa opção depende de acordo entre as duas instituições envolvidas e costuma ser mais burocrática que a unificação da dívida.

O que acontece se eu não pagar

Assim como em qualquer operação com garantia real, o não pagamento pode levar à execução da alienação fiduciária, processo que já detalhamos neste post. A diferença é que, num imóvel ainda financiado, existem duas dívidas envolvidas, e a ordem de prioridade entre os credores costuma seguir o que foi definido no contrato de cada operação.

Por isso é essencial entender bem o Custo Efetivo Total antes de assumir esse tipo de compromisso, considerando que você estará somando duas obrigações sobre o mesmo bem.

Quando vale a pena considerar essa opção

Faz sentido pensar nisso quando você já pagou uma parte relevante do financiamento e precisa de um valor alto para reformar a casa, investir em um negócio ou consolidar dívidas mais caras, como já explicamos na comparação entre empréstimo com ou sem garantia. Como a taxa de juros dessa modalidade costuma ser bem menor que a do crédito sem garantia, unificar as dívidas pode reduzir o valor total pago ao longo do contrato.

Todo banco aceita imóvel financiado como garantia?

Não. Cada instituição define suas próprias regras sobre margem mínima de garantia e sobre aceitar ou não unificar o saldo devedor. Por isso, vale simular em mais de uma instituição antes de decidir, já que as condições variam bastante entre os bancos que oferecem essa modalidade.

Preciso estar com o financiamento em dia para conseguir esse empréstimo?

Sim. Praticamente todas as instituições exigem que não haja parcelas atrasadas no financiamento original, porque isso indica ao banco que o risco da operação está sob controle antes de aceitar o imóvel como garantia adicional.

Image by Drazen Zigic on Magnific