Pessoa entendendo o que é alienação fiduciária antes de dar o carro em garantia

Alienação fiduciária: O que significa dar o imóvel ou carro em garantia

Alienação fiduciária é o nome jurídico daquele contrato em que você usa o imóvel ou o carro como garantia de um empréstimo, mas o bem tecnicamente não fica no seu nome até o fim do pagamento. Parece complicado só de ouvir o termo, mas o funcionamento é mais simples do que soa, e entender isso antes de assinar evita surpresa se algum dia você atrasar uma parcela.

O que muda na propriedade do bem

Quando você faz um empréstimo com alienação fiduciária, seja de imóvel ou de veículo, o bem passa a ter dois “donos” ao mesmo tempo, cada um com um papel diferente. Você continua com a posse do bem, ou seja, mora na casa ou dirige o carro normalmente. Mas a propriedade formal fica com a instituição financeira até você terminar de pagar todas as parcelas. Só depois da última parcela paga é que o bem passa de fato pro seu nome, com o registro atualizado em cartório ou no Detran.

Essa divisão existe justamente pra proteger quem empresta o dinheiro. Se você para de pagar, a instituição não precisa entrar numa longa disputa judicial pra reaver o bem, porque ela já é a proprietária formal durante todo o contrato. Isso reduz o risco da operação, e é um dos motivos pelos quais a taxa de juros do empréstimo com garantia costuma ser bem menor do que a de um empréstimo pessoal sem garantia nenhuma.

Alienação fiduciária de veículo e de imóvel: as diferenças

Como funciona com o carro

No caso de veículos, a alienação fiduciária é regulada por uma lei específica de 1969, ainda em vigor, que trata da retomada do bem em caso de inadimplência. Na prática, se as parcelas do financiamento ou do empréstimo com garantia do carro ficarem sem pagamento, a instituição pode acionar um processo chamado busca e apreensão, que autoriza retomar o veículo depois de notificar formalmente o devedor e dar um prazo pra regularizar a dívida (veja o texto da lei no site do Planalto).

Como funciona com o imóvel

Com imóveis, o processo segue outra lei, de 1997, que criou regras específicas pra esse tipo de garantia no mercado imobiliário. Se o pagamento atrasar, existe um prazo legal pra você regularizar a dívida, chamado de purgação da mora. Só depois de esse prazo passar sem solução é que a propriedade se consolida em nome do credor, e mesmo assim o imóvel costuma ir a leilão, não simplesmente “some” das mãos de quem tomou o empréstimo (confira a lei completa no Planalto).

Alienação fiduciária não é a mesma coisa que hipoteca

É comum confundir os dois termos, mas a diferença é importante. Na hipoteca, o imóvel continua no seu nome durante todo o financiamento, e o credor só tem o direito de vender o bem judicialmente se você não pagar. Já na alienação fiduciária, como vimos, a propriedade formal já fica com o credor desde o início, o que torna o processo de retomada mais rápido em caso de inadimplência. É justamente por isso que a alienação fiduciária se tornou o modelo mais comum em financiamentos e empréstimos com garantia no Brasil hoje: pro credor, é mais simples e mais rápido de executar do que uma hipoteca.

O que acontece se você não conseguir pagar

Atrasar uma ou duas parcelas normalmente não leva à perda imediata do bem. As instituições costumam notificar o devedor, cobrar multa e juro de mora, e abrir espaço pra negociação antes de qualquer ação mais séria. O problema cresce quando a inadimplência se arrasta por vários meses sem nenhuma tentativa de acordo da sua parte.

Se o processo de busca e apreensão ou de consolidação da propriedade avançar, existe ainda a chance de regularizar a dívida dentro do prazo legal e recuperar o bem, pagando o que está em atraso mais os custos do processo. Depois desse prazo, o bem pode ser vendido em leilão, e se o valor da venda for maior do que a dívida restante, a diferença deve ser devolvida a você — o credor não pode simplesmente ficar com o excedente.

Vale a pena aceitar alienação fiduciária pra ter juro menor?

Depende do quanto você tem de fôlego financeiro pra manter os pagamentos em dia durante todo o contrato. A vantagem da taxa de juros menor é real e comprovada, mas o risco de perder um bem essencial, como o imóvel onde a família mora, também é real. Antes de assinar, vale se perguntar: se eu perder a renda principal por alguns meses, ainda consigo negociar ou pagar essas parcelas? Se a resposta for muito incerta, talvez valha considerar um valor de empréstimo menor, ou uma modalidade sem garantia, mesmo que o juro seja mais alto. O guia o que analisar antes de pegar um empréstimo ajuda a organizar esse tipo de decisão com mais calma antes de assinar qualquer contrato.

Perguntas frequentes sobre alienação fiduciária

Alienação fiduciária vale só para financiamento, ou também para empréstimo com garantia? Vale para os dois casos. Tanto o financiamento tradicional de imóvel ou veículo quanto o empréstimo com garantia que usa esses bens como lastro costumam usar o mesmo modelo jurídico de alienação fiduciária.

Posso vender um imóvel ou carro que está em alienação fiduciária? Só com autorização da instituição financeira, porque a propriedade formal ainda não é sua enquanto o contrato não for totalmente pago. É possível fazer a venda com a chamada transferência de financiamento, mas isso depende de aprovação do credor.

Depois de pagar todas as parcelas, o que preciso fazer para ficar com o bem no meu nome? É preciso solicitar a baixa do gravame no caso de veículos (no Detran) ou a baixa da alienação no registro de imóveis, no caso de imóveis. Esse processo geralmente não é automático, então vale confirmar com a instituição qual documentação é necessária depois da última parcela.

Antes de assinar, leia o contrato com atenção redobrada

Alienação fiduciária não é um problema em si — é só o nome técnico de um tipo de garantia que existe pra tornar o crédito mais barato. O que faz diferença é entender exatamente o que está em jogo antes de colocar seu imóvel ou seu carro nessa posição, e ter um plano B se algo sair do previsto durante o contrato.

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